Por que a inspeção veicular é tão importante?

A inspeção veicular tem função preventiva e visa garantir que os automóveis circulem em condições adequadas de segurança.

 

Quando o assunto é inspeção veicular, não é difícil encontrar por aí motorista que se mostre meio contrariado. No entanto, o procedimento é previsto pelos artigos 104 e 106 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que, na verdade, é uma lei federal em vigor desde 1997.

Enquanto muitos condutores alegam que estas inspeções não geram resultados e que possuem caráter meramente punitivo, órgãos como a Federação Nacional de Inspeção Veicular (Fenive) se dedicam à conscientização sobre a importância da prática.

Daniel Bassoli, diretor-executivo da Fenive, atribui a resistência das pessoas a questões culturais. “Essa é uma ferramenta usada em todo o mundo. Em muitos países, esse tipo de procedimento está consolidado, enquanto no Brasil há a dificuldade de se fazer cumprir a legislação”, avalia.

Isso se reflete em um número de inspeções sempre muito abaixo do total da frota em circulação. Um exemplo são os carros convertidos para o GNV.

Uma pesquisa de campo realizada com 130 mil veículos movidos a gás natural mostrou que 40% da frota do Rio de Janeiro está irregular. Entraram nesta estimativa os carros sem inspeção ou com cilindro vencido. O levantamento é da Associação dos Organismos de Inspeção Veicular do Estado Rio de Janeiro (Assinsp-RJ), grupo vinculado à Fenive.

Bassoli identifica outros problemas. “Em um momento de crise como este, por questões financeiras, o motorista pode deixar a manutenção de lado e acabar não realizando a inspeção, pois sabe que o veículo será reprovado”, comenta.

A inspeção veicular para carros movidos a GNV verifica não só o sistema a gás, como também todo o funcionamento mecânico, conforme norma do Inmetro. São checados os sistemas de sinalização, iluminação, freios, suspensão, o estado dos pneus e outros componentes.

Muitos motoristas consideram o processo rigoroso demais. Um farolete queimado ou um grave problema no freio acabam tendo o mesmo peso na avaliação, o que, segundo o especialista, contribui para gerar insatisfação e resistência nas pessoas.

“Essa verificação completa é importante, mas o fato de falhas de diferentes níveis de gravidade terem o mesmo potencial de reprovação não é o ideal”, analisa.

A inspeção veicular tem função preventiva e visa garantir que os automóveis circulem em condições adequadas de segurança.

Bassoli explica que o procedimento contribui para a queda dos índices de acidentes causados por falha mecânica, controle da poluição atmosférica e diminuição dos congestionamentos nas cidades. “A inspeção veicular não deve ser vista apenas como uma obrigação, mas também como uma ferramenta de prevenção, com impactos positivos para a qualidade de vida da população”, finaliza.


Entenda como funciona a inspeção veicular

A inspeção veicular é um processo executado para avaliar o estado de conservação e funcionamento dos veículos quanto à conformidade em relação aos regulamentos técnicos. As inspeções estão previstas nos artigos 104 e 106 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

A inspeção de que trata o artigo 106 do CTB, que faz referência a modificações no veículo, como, por exemplo, instalação de GNV, é realizada por organismos de inspeção acreditados pelo Inmetro e licenciados pelo Denatran.

 

Inspeção inicial do veículo com sistema GNV

Documentos exigidos:

 

  • Documento do veículo ou nota fiscal;
  • Nota fiscal de serviço de instalação;
  • Atestado da qualidade da instalação;
  • Nota fiscal do kit GNV com discriminação dos itens;
  • Autorização do Detran (senha);
  • Veículo abastecido no mínimo 180 bar de pressão de GNV;
  • Certificado de requalificação para cilindros;
  • Certificado do cilindro para cilindro não requalificado.

 

Inspeção periódica do veículo com sistema GNV

 

É obrigatória a realização de inspeção veicular a cada 12 meses, contados a partir da data da última inspeção veicular.

 

Documentos exigidos:

 

  • Documento do veículo;
  • Selo do GNV;
  • Veículo abastecido no mínimo 180 bar de pressão de GNV;
  • Documento de identificação do condutor do veículo;
  • Certificado de requalificação quando o cilindro for requalificado;
  • Nota fiscal quando o kit GNV passar por troca de algum componente;
  • Atestado da qualidade quando o cilindro for instalado por instaladoras após a requalificação ou sofrer manutenção dos componentes de GNV.

 

Requisitos iniciais para inspeção de segurança veicular visual

 

É verificado o estado de conservação do veículo: lataria, vidros, espelhos retrovisores, ferramentas, triângulo, limpadores de para-brisa, estado de conservação dos pneus, para-sol, cintos de segurança e funcionamento do painel de instrumentos.

É verificada a conformidade da instalação dos componentes de GNV:

  • Redutor de pressão;
  • Válvulas de abastecimento;
  • Linha de baixa pressão;
  • Fixação da bateria;
  • Ponto de aterramento de GNV;
  • Identificação da válvula de abastecimento;
  • Manômetro;
  • Válvula de corte rápido de GNV;
  • Verificação de possíveis vazamentos nas conexões entre a linha de baixa e alta e componentes de GNV;
  • Verificação do kit GNV;
  • Número do cilindro redutor;
  • Selo do cilindro;
  • Certificação dos componentes de GNV;
  • Verificação da fixação do suporte do cilindro e dimensionamento correto das cintas;
  • Verificação do estado geral do cilindro de GNV.

Linha de inspeção e inspeção em fosso (inspeção mecanizada)

 

  • Verificação do alinhamento das rodas;
  • Verificação do sistema de suspensão;
  • Verificação do sistema de freios;
  • Verificação do circuito de freio;
  • Estado geral dos discos;
  • Tambores de freio e válvulas, quando aplicável;
  • Verificação do sistema de suspensão, amortecedores, eixos, batentes, molas, braços e calços, além dos grampos;
  • Verificação do sistema de direção e articulação, pivôs, balança, coifas, buchas e sistema de exaustão;
  • Verificação da presença de folgas, elementos articulados como pivô e balança.

 

Componentes do sistema de GNV verificados no fosso

 

  • Verificação do percurso;
  • Fixação e proteção da linha de alta do sistema GNV;
  • Verificação da existência e posicionamento do sistema de ventilação da válvula do cilindro de GNV.

 

Análise de gases e iluminação

 

Nesta etapa, são verificados os sistemas de sinalização e iluminação do veículo: setas, luz de freio, lanternas de posição e faróis.

Também são avaliados os componentes de controle de emissões, os níveis de concentração dos gases monóxido de carbono e hidrocarbonetos.

 

Entrega da documentação

 

Após a aprovação na inspeção veicular, serão emitidos os seguintes documentos:

  • CSV – Certificado de Segurança Veicular;
  • CI – Certificado de Inspeção;
  • Selo GNV.

Caso o veículo seja reprovado, será emitido o relatório de não-conformidade, apontando os itens que necessitam de correção.

O motorista terá 30 dias corridos para solução dos problemas identificados. Caso ultrapasse esse prazo, será necessário realizar uma nova inspeção.

 

Fonte: vídeo produzido por ASSINSP-RJ e CREA-RJ.

 


GNV no transporte coletivo: muita economia!

O uso do gás natural veicular no transporte público, em substituição ao diesel, pode gerar impactos positivos para a saúde da população, mostra estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade.

O relatório divulgado afirma que a substituição de 50% da frota de ônibus urbanos das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo por veículos movidos a GNV evitaria 10.679 mortes e 5.284 internações públicas nessas áreas, de 2018 até 2025.

Em termos de custos, seriam poupados R$ 4,5 bilhões em produtividade e R$ 8,8 milhões em gastos públicos em saúde (SUS).

A substituição do diesel pelo GNV levaria à diminuição das emissões de material particulado fino (MP2,5), um dos grandes vilões da poluição atmosférica. Essas micropartículas podem causar ou agravar uma série de problemas de saúde.

De forma simplificada, pode-se dizer que a fumaça produzida pelos ônibus movidos a diesel é tóxica e muito prejudicial à população dos grandes centros.

“Os resultados de intervenção do uso do GNV na frota de ônibus revelam-se uma alternativa promissora para a substituição do diesel e para o desenvolvimento da mobilidade sustentável no país”, diz material de apoio da divulgação do relatório.

Veja este estudo na íntegra: Avaliação dos impactos na saúde pública e sua valoração devido à implementação do gás natural veicular na matriz energética de transporte público – ônibus e veículos leves em seis regiões metropolitanas no Brasil. Acesse aqui.

Acompanhe as informações do segmento de GNV no blog da Inove Gás

Especialista em conversões para o GNV no Rio de Janeiro, a Inove Gás reúne em seu blog conteúdo variado e útil para quem quer se manter informado sobre esse combustível cheio de vantagens. Acesse e fique sempre por dentro!